Preço do milho e do farelo de soja deixam pecuária em alerta

ENQUANTO O VALOR DOS INSUMOS DISPARA, OS PREÇOS DOS ANIMAIS VIVOS E DAS CARNES REGISTRAM SIGNIFICATIVAS QUEDAS

 

As recentes fortes altas nas cotações do milho e do farelo de soja, principais insumos das atividades suinícola e avícola, têm deixado pecuaristas em alerta. Os preços dos animais vivos e das carnes, por outro lado, registram significativas quedas. Para agravar a situação do setor, uma nova etapa da operação Carne Fraca (Trapaça), da Polícia Federal, foi realizada em março, preocupando agentes.
Os atuais patamares de preços do milho e do farelo dificultam a aquisição desses insumos e, consequentemente, a manutenção dos plantéis de matrizes nas principais regiões pecuárias.
Esse cenário traz à tona as preocupações vividas pelo setor suinícola em 2016 e mostra que produtores precisam se organizar para enfrentar mais uma possível crise.
Segundo a equipe de grãos do Cepea, apesar do período de colheita da safra de verão de milho e dos bons volumes ainda em estoques, a restrição vendedora e as incertezas quanto à segunda safra nacional e à produção argentina têm impulsionado os valores do cereal no Brasil. Quanto ao farelo de soja, pesquisadores indicam que as altas se devem à quebra na produção de soja na Argentina e à maior procura doméstica pelo derivado.
No caso do suíno e da ave, a pressão sobre os valores internos vem tanto da maior oferta quanto da fraca demanda. Do lado da oferta, no caso da carne suína, o embargo russo à proteína brasileira limita o escoamento externo e mantém elevada a disponibilidade doméstica. Quanto à demanda, o período de Quaresma enfraquece o consumo de carne, fazendo com que frigoríficos limitem as aquisições de novos lotes de animais vivos.
Segundo levantamento do Cepea, o preço médio do milho em março – na região de Passo Fundo – foi 15,5% acima do registrado em fevereiro de 2018. Para o farelo de soja negociado na mesma região, a média de março supera em 15,3% a do mês anterior. Já quanto ao suíno vivo, o preço médio do animal negociado na região de Erechim está 8,7% abaixo do observado em fevereiro. Para o frango vivo negociado em Porto Alegre, a média de março foi 8,5% menor que a de fevereiro.
No caso do frango, um certo alento ao mercado doméstico vem das notícias indicando novos surtos de influenza aviária em março em importantes países produtores de frango. Isso porque esse cenário pode favorecer as exportações brasileiras de carne e enxugar a oferta doméstica.

 

Fonte: Sergio De Zen e Marcos Iguma – Gaúcha ZH

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